terça-feira, 22 de setembro de 2009

Impenetrável mar


Impenetrável mar

O sol banha o mar,
mas o mar continua gelado,
impenetrável.
Ondas inexistentes.
Silencio assustador e solitário,
escondido em si,
chora o amaciamento do sol,
que tudo penetra,
tudo ilumina,
tudo derrete,
mesmo quando não é bem-vindo
ou mesmo quando não é aceito.
Incompreensível, o mar,
seus mistérios, nem os experientes conhecem,
e nem querem descobri-los,
sem antes navega-lo,
sozinho ou acompanhado,
mas navega-lo, em dias quentes e tranqüilos,
em invernos e tormentas,
em abundância de gaivotas,
em agrupamentos de peixes,
em tesouros escondidos,
encontrados...
Muitos perdidos, esquecidos,
outros abandonados,
poucos são encontrados
e muitos nunca serão vistos.
O mar e seus mistérios
O sol e seus esconderijos,
em seus raios,
quebranta qualquer coração,
mesmo o do impenetrável mar.


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by Augusto Filho

terça-feira, 9 de junho de 2009

A dança


A dança

A dança das palavras é perigosa
Cala-se sem combate
Ou com guerra?
As intrépidas palavras malignas,
que como encantamento perturba o sono
e acelera a ira e sentimentos.
A dança das palavras é como um bolero:
Sujo, malandro e sorridente
Aquece o infeliz e o inocente
Apodera-se e controla os movimentos.
Estremece e foge
Solitário
Pensativo
Solitário...
A palavra é um allegro moderato
Determinante
Crucial...
Um cruzado de lado reverso
Uma ponte e um espelho,
não importa para onde vai,
sempre retorna.
Um filho pródigo,
que abandona,
sofre,
arrepende-se,
porém, retorna.
A dança das palavras é como um tango argentino:
Vibrante, preciso, sentimental
Mas por estranhamento descomunal
Pode-se tornar por demasia passional.
Cuidado é a palavra de ordem
Cuidado com o tango
Afiado e cortante
Não poupa de seu veneno
Nem mesmo o amor.
A palavra é trágica
Destrói mais do que edifica
Espalha mais do que ajunta
Aparta mais do que unifica.
É veneno que escorre nessas entrelinhas,
destilando sua sublimação e significados.
É estranheza para os descuidados,
poder para os ambiciosos,
esperança para os apaziguadores,
fé para os religiosos.
Façam-se boas palavras!
Pois nessa dança,
Comecei em um bolero e terminei em um tango.
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by Augusto Filho

quinta-feira, 4 de junho de 2009

The Cube


The cube

I shall never forget the love inside
Inside my heart of pain
Pain of not becoming
Becoming the dream within
Within our hearts we forget
Forget what is hard and sure
Oh I wish I could be like gods above
Shine through the universe the magic of wanting
The love that brings with its masks the mirror of life
Great is the heart of those who know the meaning of pure living
The gall of feelings
that never ends to cease
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by Augusto Filho

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nuvem luminosa


Nuvem luminosa


O incenso flutuava sobre o copo de papel.
Meus pensamentos vagos e oximoros,
navegavam nos olhos da paixão.
Ainda que por ilusão,
ali se apresentava explendorosamente,
sobre nuvens altíssimas,
uma virgem eu vi.
Era ela que perturbava os meus sonhos,
meu sono...
Sua veste branca sobre a espádua nua,
chamava-me sobre a voz da melancolia.
Não! Gritava aos meus olhos.
Meus passos dilacerados
caíam sobre as zeugmas de minha razão...
Era ela que me perseguia em pensamentos


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by Augusto Filho

sábado, 16 de maio de 2009

Ó pátria amada, Brasil, terra adorada


Ó pátria amada, Brasil, terra adorada

Ó pátria amada, Brasil, terra adorada
louvado seja o teu pendão augusto
de um povo santo, urge a espada
vitória as margens plácidas

E o futuro espelha a igualdade
terra santa, Brasil, terra adorada
de um povo santo, urge a espada
vitória as palmeiras e a liberdade

E em teu seio, ó virgem idolatrada
de cânticos sublimes, horas mil
um filho verá surgir no horizonte

Ao som do mar, o céu profundo
as luzes das estrelas em berço esplêndido
és tu Brasil, o sol do novo mundo.

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by Augusto Filho

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Verde e azul do infinito


Verde e azul do infinito

A colina verde azul da aquarela
Os perfumes das violetas do gramado
Minhas ovelhas e pastores de regalo
Traziam a minha amada pura e bela

E as pedras do caminho inconquistável
As gardênias amarilo sol inverno
Era Marília que descia inalcançável
Pastor que trabalhava aprisco interno

Os seus cabelos sob o vento a soprar
Os pássaros sobre árvores a marulhar
Era Afrodite que surgia ao raiar

Oh, meu campo, doce vida, meu paraíso
Nos meus sonhos te imagino e encontro
O mesmo verde e azul do infinito


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by Augusto Filho

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobre a cruz de espinhos sangrentos


Sobre a cruz de espinhos sangrentos

Sobre a cruz de espinhos sangrentos
A coroa crescente dilacerava.
Mãos de melancolia e tormentos,
Caíram ao chão, terra santa amada


Os pés sobre os pregos aliteravam
A sanguínea paz que se encontrava.
Não era um homem despedaçado,
Mas um Rei que fora abandonado.

Sobre o madeiro mãos recebiam
O clamor do pecador desregrado:
“Perdoa esta ovelha desgarrada”.

Liberto do altar os pés andavam,
Andavam ao portal do céu abria,
Abriam ao perdão das mãos fechadas.

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by Augusto Filho